segunda-feira, março 31, 2008

O temor

«Não haverá razão para viver, nem termo para as nossas misérias, se for mister temer tudo quanto seja temível. Neste ponto, põe em acção a tua prudência; mercê da animosidade de espírito, repele inclusive o temor que te acomete de cara descoberta. Pelo menos, combate uma fraqueza com outra: tempera o receio com a esperança. Por certo que possa ser qualquer um dos riscos que tememos, é ainda mais certo que os nossos temores se apaziguam, quando as nossas esperanças nos enganam.

Estabelece equilíbrio, pois, entre a esperança e o temor; sempre que houver completa incerteza, inclina a balança em teu favor: crê no que te agrada. Mesmo que o temor reuna maior número de sufrágios, inclina-a sempre para o lado da esperança; deixa de afligir o coração, e figura-te, sem cessar, que a maior parte dos mortais, sem ser afectada, sem se ver seriamente ameaçada por mal algum, vive em permanente e confusa agitação
(…) Flutuamos ao mínimo sopro. De circunstâncias duvidosas, fazemos certezas que nos aterrorizam. Como a justa medida não é do nosso feitio, instantaneamente uma inquietude se converte em medo.»

Séneca, in «Dos Reveses»

domingo, março 02, 2008

Tempo e disponibilidade

Muitas vezes queixamo-nos da falta de tempo mas, provavelmente, a questão não está na falta de tempo mas sim na disponibilidade que temos para as coisas.
Quanto mais disponibilidade criamos, maior o tempo das coisas que vivemos.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

O erro

Errar não é nada, excepto se nos continuarmos a lembrar disso.
Confúcio.


O erro faz tanto parte da nossa vida quanto tudo o que fizermos de certo. Sem trevas a luz não se conhece, sem erro a verdade não cresce.
Dizer isto não é deixar cair no laxismo algo que se fêz mas antes, não cair no desespero das coisas que fizemos por ainda sermos como "crianças". Devemos aceitar os nossos tempos, as nossas idades, assumindo tudo o que fizemos, integrando, decantando, solidificando tudo até ao momento presente, que apenas é um passo no caminho.

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Aprendizagem na dor

Alguém diria que a dor física ultrapassa a dor emocional e é verdade. Mas sempre que estamos em dor, o que devemos fazer? Tomar analgésicos? Esquecer a dor?
A dor faz parte da nossa vida, assim como a alegria, excluir uma delas é querer viver sempre em cima de uma onda, esperando, tendo a expectativa de que ela nunca acabe. Uma das certezas da vida é que nada é constante, apenas a mudança interior resulta numa maior capacidade de entendimento às mudanças e a uma melhor resposta a estas.
Por isso, enquanto estava em dor o que pensei e senti?
Pensei que ela iria passar mais hora menos hora, por isso não vivi apenas aquele momento como se nada mais existisse, soube ter esperança e entendimento das circunstâncias e da realidade.
Senti a dor mas permiti-me sentir o que considero acima de todas as coisas e também isso me ajudou a superar, soube ter uma consciência mais atenta e manter uma ligação a Deus sem queixume.
A dor traz-nos lições e uma hora pode mudar uma vida.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

No tempo

Se olharmos para uma montanha de longe, veremos que a montanha não se move, não muda, por si mesma. Pode ter neve, pode não ter, pode ter árvores ou não ter mas, de longe, parece não mudar.
No entanto, se olharmos atentamente, de perto, com atenção, veremos que algo de que ela é feito, mudou. Que o traço singular é agora mais angular, que o sítio que parecia cheio de arestas tem apenas elevações gastas pelo tempo.
Assim é connosco, o tempo vai-nos moldando e quanto mais de perto olharmos, mais veremos as diferenças que ele nos fez. Para isso, é preciso estar atento, vivendo cada dia como o dia que é, absorvendo e resolvendo os momentos, todos eles.

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Coptas

Divinizar o homem

Muitas vezes torna-se fácil humanizarmos o Divino, trazermos a nós o que achamos estar além de nós, dando-lhe forma, características, pensamentos, vontades, fazemos o Divino à nossa imagem e semelhança mas, na verdade, deviamos exercitar exactamente o contrário, divinizar o homem, não no aspecto de enaltecer o que o torna pequeno mas sim o que o torna como Ser. Aproximarmo-nos do divino pela nossa parte nele, é como afirmar o nosso lugar na pulsação da vida.
O homem divino ou o divino homem É e não precisa de mais para compreender ou sentir.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Crescimento

"Não procures a perfeição mas sim o crescimento" (John Powell)
A busca pela perfeição faz-nos olhar para todas as coisas de forma crítica, ansiosa, sempre pesando nos nossos ombros com intolerância e, muitas vezes, ignorância.
O crescimento traz-nos a liberdade do auto-conhecimento, da sustentabilidade, do afecto e compreensão.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Dar o passo atrás

Sempre que estiveres confuso, dá um passo atrás.
Digere, medita, reflecte, esvazia-te de todo o universo para que novamente e de forma mais compreensiva ele ocupe espaço em ti.

domingo, fevereiro 10, 2008

Djwhal Khul

" Nada debaixo do céu pode parar
o processo da alma humana
na sua longa peregrinação
da escuridão para a luz,
do irreal para o real,
da morte para a imortalidade
e da ignorância para a sabedoria."
Djwhal Khul

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Na potencialidade

Viver entre a potencialidade e a realidade traz um caminho de longos passos.
A forma como olhamos os outros, depende do coração com que os vemos ou com que mente os interpretamos.

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Perguntas e respostas

Ontem reflecti sobre uma questão que por vezes é colocada. Em algum momento, alguém acaba sempre por perguntar - O que é Deus, ou, quem é Deus?
Há uma resposta brilhante, vinda de Einstein: "Antes de responderes quem é Deus, pergunta primeiro qual o significado de Deus para essa pessoa".
É uma grande verdade e um óptimo princípio de comunicação, se todos colocarmos as cartas na mesa, sem subterfúgios ou erros de comunicação, então, tanto a pergunta como a resposta poderão ter o sabor de satisfação.

Um adoçante especial

Certo dia um sacerdote foi a uma escola falar de Deus.
Quando chegou perguntou às crianças se conheciam Deus. Elas responderam que sim.
Então ele perguntou: Quem é Deus?
Elas responderam:
- Deus é nosso Pai. Ele fez a terra, o mar e tudo o que existe. E fez de nós seus filhos...
O sacerdote resolveu adiantar um pouco a sua pergunta:
- Como é que vós sabeis que Deus existe se vós nunca O vistes?
A sala ficou toda em silêncio durante uns momentos. Por fim, Pedro, um menino muito tímido, levantou a mão e disse:
- A minha mãe disse-me que Deus é como o açúcar no leite que ela me prepara todas as manhãs. Eu não vejo o açúcar que está dentro da chávena de leite, mas se ela não o colocar, o leite fica sem sabor. Deus existe e está no meio de nós, só que nós não O vemos. Mas, se Ele não estiver perto, a nossa vida fica sem sabor.
O sacerdote disse:
- Muito bem, Pedro! Agora sei que Deus é o nosso açúcar. É Ele que adoça todos os dias a nossa vida.

Almanaque Boa Nova 2008

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Por tempo

Raramente há tempo para o que queremos, quer seja para estarmos sós, para estarmos com alguém, para descansar ou para projectos. Se meditamos, cada segundo que passa é uma expansão quase infinita do tempo, ficar assim 15 minutos é bom, 30 minutos um prodígio, uma hora, torna-se quase impossivel.
Daqui, aprendemos que para ganharmos a sabedoria do tempo, temos que compreender que cada coisa tem o seu lugar e leva o tempo necessário a ser feito, que a nossa vontade pode estar acima das limitações que nos auto-impomos. O tempo existe para tudo e nós existimos no tempo.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Procurar

Procurar faz parte de nós, está ligado à curiosidade, à vontade de evolução, à insatisfação...
Procurar é querer atingir um objectivo, sentindo-nos realizados pelo feito e com a conquista de mais um momento.
O que procuramos?

sexta-feira, janeiro 04, 2008

O fim ou o caminho?

Vivemos por objectivos, temos sempre uma meta a atingir mas, a sabedoria não está no fim mas sim na experiência e vivência do caminho.
Sempre que atingimos um fim, a nossa constante de insatisfação apela-nos a procurar outro fim, por isso, ao traçarmos o propósito último da nossa vida, temos que ter a consciência que ele apenas será enriquecedor se soubermos aproveitar tudo o que formos construindo até a ele chegarmos.

A questão do Mestre

Muitas vezes queremos seguir alguém, sentirmo-nos parte integrante de um grupo, de algo que nos acolha, outras queremos que alguém nos siga e que muitos estejam connosco. Isto é compreender a nossa humanidade, do que somos feitos. Quando alguém tem o título de mestre, não nos devemos esquecer que mestre todos nós somos ou pelo menos temos a potencialdade de o ser. Temos sempre algo a ensinar e por vezes temos um ensinamento mais iluminado, essa é a parte do mestre, que entra em contacto com a vida, com o universo, que recolhe a informação e a transmite.
Mestre não é um título, é um momento que a todos nos toca.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

O mistério da escada

Na Cidade de Santa Fé, no Novo México existe uma capela, a capela do Loreto, construida no final do século XIX, cujo elemento mais famoso é a sua escada...
Mais na Wikipedia e no Loreto Chapel

terça-feira, janeiro 01, 2008

Viver

A vida é feita de um conjunto de situações, de acontecimentos, que merecem ser vividos e não sobrevividos. Colocando toda a atenção nas coisas que se fazem, empenhando nessas coisas o devido amor, pois é com amor que todas as coisas se criam e constroem, estaremos a dar mais sentido ao que precisamos.
A vida é feita de etapas e cada uma delas tem o seu ritmo e espaço próprios, em cada etapa vamos crescendo em experiência, muitas vezes inconscientemente, pelo que para tirarmos partido de todas as coisas que aprendemos devemos revisitá-las à luz da sabedoria do nosso presente, tendo a consciência que o que saberemos amanhã pode contradizer o que tomamos por certo hoje.
Para este ano, tomarei em meditação o Respeito. É respeitando, compreendendo o meu próximo, que poderei ter o espaço suficiente para me respeitar e compreender. Há momentos em que a humanidade deve estar acima do homem.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Comunicar

Só através de um cerimonial consegues comunicar. Se ouvires distraído essa música e considerares distraídamente esse templo, não nascerá nada em ti, nem serás alimentado. O único meio de que disponho para te explicar a vida a que te convido é, por conseguinte, que tu te comprometas pela força e te deixes amamentar por ela. Como te havia eu de explicar essa música que ouvi-la não basta, se não te achas preparado para te deixares formular por ela? Tão prestes vejo a morrer em ti a imagem da propriedade, que dela pouco mais resta do que gravatos. A palavra irónica é própria mas é do cancro; um sono mau, um barulho que perturba, e aí estás tu privado de Deus. E recusado. Vejo-te sentado no portal, tendo atrás de ti a porta da tua casa fechada, totalmente separado do mundo, que não passa do somatório de objectos vazios. Porque tu não comunicas com os objectos, mas com os laços que os ligam.
Como é que havias de subir até aí, quando te desprendes disso com tanta facilidade?

Antoine de Saint-Exupéry, in "Cidadela"